Melbourne é uma metrópole que para Europeus sempre parece algo estranha. É composta por um centro teoricamente muito organizado, pois compõem-se de ruas paralelas e perpendiculares a que carinhosamente chamam “a grelha”. Isto condensado dentro de um rectângulo de 3×2 km! Porém, neste (des)organizado rectângulo encontra-se muito e muito interessante! O resto desta cidade são subúrbios à moda Australiana… terrível coisa… é preciso nascer aqui para gostar de tal fenómeno!
Ficam então umas fotos daquilo que está dentro “da grelha” e nas cercanias!
Fonte que adorna a fachada do Royal Exibition Building nos Carlton Gardens (decorada com ornitorrincos e tudo!) versus um arranha-céus. Eles que dominam o centro de Melbourne.
O Parlamento do Estado de Victoria versus um dos eléctricos cá da terra! Esta foto poderá parecer estranha na luminosidade. Passo a explicar. O sol nasce por detrás do parlamento, reflecte nos arranha-céus e ilumina este antigo edifício de uma forma algo surreal… só visto. Mas tem que ser às 7 da matina!
Estes são três bem conhecidos homens que eternamente esperam para atravessar a rua na esquina das famosas Swanston Sreet e Bourke Street. Melbourne está repleta de arte pelas suas ruas… mas estes três de fato, à espera junto ao semáforo… são especiais!
Mais uma vez o histórico em oposição ao recente. Cúpula da estação de comboios de Flinders Street com a Eureka Tower em segundo plano. A Eureka Tower é o edifício residencial mais elevado do Hemisfério Sul e também o mais elevado de Melbourne.
E mais uma vez… Centre Place, um dos meus locais favoritos nesta bela cidade que é Melbourne.
Tenho dispensado demasiado tempo a pensar escrever “algo decente”. Tendo em conta que tal opção não está a funcionar… vou limitar-me a expor as “maravilhas” de viver num outro país. Bom, tal sob a forma de uma breve discrição do que se passa neste preciso momento, em que escrevo, claro.
Sentado num pequeno caixote do lixo metálico, com uma almofada a acrescentar conforto, portátil numa cadeira em frente. Tudo isto num varandim que dá para o jardim da casa, nas traseiras. Ouço uma mistura do primeiro álbum dos Madredeus (Os dias da Madredeus) e Wikked Lil’ Grrrls de Esthero… não perguntem porquê. No telhado temos aquilo a que eu chamaria uma fábrica, ou pelo menos o ruído faz juízo à sugerida designação. Na realidade é o ar condicionado… central. Como isto é um país “rico” aqui na barraca o pessoal tem ar condicionado e aquecimento, ambos centrais. Dá jeito… mas tende a ser um verdadeiro DESPERDÍCIO DE ENERGIA. Mas durante o dia esteve um calor dos diabos. Neste momento (meia-noite) diz o BOM que estão uns 25 º C. Lá dentro estão bem mais…
E aqui estou eu a olhar uma árvore que creio ser nativa desta ilha e que pela manhã, pelo menos agora que está em flor, é o poleiro e provedor de pequeno-almoço para muitos papagaios. É uma visão que ainda não consegui tornar rotineira. Sempre que os observo delicio-me como um miúdo no zoológico. Encantadores e livres estes coloridos papagaios. Pela noite vagueio até aos eucaliptos e o pessegueiro que temos aqui no “quintal”. E lá estão eles, os Possums. Mais uma vez é algo que não vejo forma de assimilar como rotina… sai-me outra vez a expressão de catraio no zoo. Estes animais estavam aqui antes de todas estas casas do dito “sonho Australiano” estarem… e seguirão. Nocturnos e marsupiais, adaptam-se. Há que sobreviver. E, a esse propósito, os pêssegos nunca amadurecem. Os Possums devoram-nos antes que tal aconteça!
E amanhã trabalha-se. E é para trabalhar que estou neste país, ou pelo menos assim o diz o visto do departamento de imigração. Termino então o chá Japonês que me foi oferecido por Hiro Ikeda em Nara, e penso nas cigarras barulhentas que por Melbourne começam a veranear, já que o calor convida. Recordam-me os pinhais e o Verão na minha terra, e também Tóquio.
Ontem foram 33° centígrados a par de uma humidade estilo sauna! Óbvio… o pessoal adormeceu com o ar condicionado a funcionar…
Hoje foi um máximo de 19° centígrados e…. chuva!
Para quem desconhece, em Melbourne a natureza fala assim!
A última vez que me dignei manifestar-me no meu próprio espaço foi há cerca de 11 dias! Bastante tempo ah… pelo menos para o mundo “argonáutico”! Uma mistura de actividade social e trabalho levaram a que assim fosse.
Entre variadas coisas tive o privilégio de percorrer parte da tão afamada Great Ocean Road! Uma delícia para os olhos, para a alma e para os pulmões… tanto verde!
Deixo então uma foto, a minha pessoa, Alisdair, Kristian e Maria. As maravilhas do Couchsurfing!
Hoje, após ter saído de um clube nocturno com uma mulher, um indivíduo decidiu arrastá-la pelo cabelo para fora do táxi onde se deslocavam e disparar algumas balas! Naturalmente não foi crime aleatório. Crê-se que ambos se conheciam bem. Dos dois homens que tentaram ajudar a malfadada mulher, um está morto e o outro, tal como a mulher, em estado grave no Hospital!
The Shrine of Remembrance é uma homenagem à memória dos Australianos que lutaram na Primeira Guerra Mundial, bem como aos que participaram noutros conflitos e missões de paz desde então. Uma tradução possível seria algo como O Templo da Memória. Um pouco como o Túmulo do Soldado Desconhecido.
Deste local podemos deleitar-nos com uma agradável vista sobre o centro da cidade já que o Templo está orientado para uma das principais vias do centro de Melbourne, a Swanston Street!
O silêncio domina. Sente-se um áurea de respeito por quem lutou e por quem lutando morreu. Por uma causa sim… e ocorrem-me os Portugueses que lutaram e os que lutando morreram nessa inútil Guerra que foi a do Ultramar, Esse Vietname Português. Que não Os esqueçamos.
No outro dia conversava com o Diogo (Sôr Comandante) e pelo meio veio a sugestão de simplesmente colocar algumas fotos daquilo que se vê deste lado do planeta! A minha irmã também já havia sugerido…
Deixo então uma foto para abrir o apetite. Mais se seguirão.
E, aquela que escolho retrata um dos locais que gosto e que recomendo no centro de Melbourne. Talvez porque permite uma fuga ao corre-corre da vida no centro, porque é diverso num espaço algo exíguo e quase que se sente uma brisa de Europa no ar (pelo menos eu sinto :), vá lá saber-se porquê!)! Não é local único. Várias são as vielas que Melbourne oferece e que eu definitivamente recomendo.
No século XIX, estabeleceu-se que a data do falecimento de Camões teria ocorrido a 10 de Junho de 1580. O responsável por isso foi o visconde de Juromenha que descobriu, na Torre do Tombo, um documento onde era mencionada a quantia a que a mãe do poeta, D. Ana de Sá, tinha direito após a morte do filho, cuja data era indicada. As celebrações nacionais do tricentenário da morte do épico, em 1880, pelo impacto que tiveram na sociedade da época e pelo rasto que deixaram para a posteridade, inscreveram o dia nos fastos da memória republicana e nacional.
A monarquia constitucional não voltaria a comemorar a data. Foi a primeira vereação republicana da Câmara de Lisboa que decidiu transformá-la em feriado do município de Lisboa e num dia especialmente celebrado na capital do país. Ao sabor das vicissitudes políticas e da instabilidade da Primeira República portuguesa, o 10 de Junho foi comemorado durante vários anos, num misto de celebração laica e republicana, dominada pelo grande ideal da Instrução Pública, e de arraial popular, dada a proximidade dos festejos do Santo António.
Somente em 1925, na sequência das comemorações do quarto centenário do nascimento do poeta (também festejado na data da morte, por se desconhecer a do nascimento), é que a data foi consagrada como Festa de Portugal. Mas foi a Ditadura que, finalmente, a instituiu como feriado nacional. O Estado Novo manteve o feriado que, depois de um período de esmorecimento, foi recuperado no quadro da mística imperialista do regime e das comemorações do sacrifício de sangue que os soldados portugueses estavam a fazer nas guerras de África. A designação oficial continuou a ser de Dia de Portugal, mas a retórica vigente recuperou uma expressão já utilizada na comemoração do centenário em 1924, o Dia da Raça. A expressão não tinha um único sentido e tem de ser lida nos contextos em que foi utilizada para se perceber os vários significados que lhe foram atribuídos.
Depois do 25 de Abril, de 1974, num quadro democrático e pós colonial, o dia 10 de Junho manteve-se como um dos mais importantes feriados nacionais. A designação foi alterada para Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A celebração perdia o cunho imperial, mas não deixava de evocar a Diáspora dos Portugueses pelo mundo. O dia 10 de Junho e o Príncipe dos Poetas mantêm-se, assim, como um dos mais perenes símbolos da nação portuguesa.”
Maria Isabel João
(U. Aberta/ CEMRI)
Fonte: Clica aqui
Naturalmente eu não teria clarificado melhor as origens e razões deste tão especial dia.
Ontem, 10 de Junho de 2007, por pura coincidência uma pessoa de origem Índia informou-me deste “Portuguese Festival”! Inicialmente fiquei algo estupefacto, mas ao mesmo tempo seguro da lógica… afinal era o Dia de Camões, esse mesmo a quem tanto a Índia encantou!!
E foi nas Docklands que o evento decorreu. Um espaço similar ao Parque das Nações, em Lisboa. E também isso ajudou a reavivar a memória. Admito que o acontecimento me deixou algo espantado! Desde as filas desorganizadas para comprar comes e bebes, o pessoal a saltar a fila e a sacar comida pela evocação de compadrios, o estereótipo do Português cinquentão de bigode e barriguinha da felicidade… sem dúvida aquela tenda gigante era tão Portuguesa quanto Português se pode ser! A música popular no ar (pimba pois!), o caldo verde, os rissóis, a broa e as sardinhas, farturas, bifanas, feijoada, o Monte Velho mais a Sagres, Super Bock e Coral, pastéis de nata, pastéis de feijão, um mar de verde e vermelho, e o Inglês de Portugal: “Escuse mi.”, o embaixador de Portugal na Austrália com o seu discurso à 25 de Abril: “Senhor presidente da Asso… Esposa, Cavalheiros, Senhores, Senhoras, Gatos e Répteis, é com prazer…”, o terminar com o Rancho a dançar umas modas… e eu sei lá que mais…
Ontem, a 18000 km de distância e sem apanhar um avião, estive em Portugal por umas boas horas!!
Hoje decidi que, definitivamente, começaria o meu jornal! Ou, em termos técnicos, o meu Blog. Inspiração: marmelada.
Estando eu a cerca de 18000 km de distância de Portugal coloca-se a óbvia questão de como comunicar. Naturalmente mantenho contacto constante e frequente com a minha família. Porém… e os amigos, conhecidos ou simplesmente curiosos? De forma intermitente mantenho contacto com algumas pessoas. Contudo não é tarefa fácil de cumprir.
Desde que deixei Portugal em 2003 rumo ao Reino-Unido que a Internet se tornou uma parte integrante do meu dia-a-dia. A facilidade com que posso aceder às últimas notícias sobre Portugal, o Mundo. A possibilidade de usufruir de ferramentas que, de outra forma, desconheceria. Sejam eles mapas, enciclopédias, fóruns de informação, e tanto mais. O correio electrónico, esse monstro da comunicação que tanto afasta como aproxima. E os blogs… essa espécie de diário em linha que todos podem consultar. Esse jornal pessoal mas também colectivo, no qual um pode partilhar, potencialmente, com todo o ser humano que disponha de uma ligação à Internet. Enquanto vivi no Reino-Unido ocorreu-me a possibilidade de um blog. Porém tal nunca foi avante.
Agora, aqui, na Austrália, a 18000 km de distância… um blog, essa gazeta, tornou-se mais desejável. Todavia somente 5 meses após a chegada escrevo. Um blog é como que um papiro em praça pública. Pode ser ignorado ou pode ser “demasiado” requisitado. Sendo pessoal é difícil delinear fronteiras. Onde parar, por onde começar, o que escrever. Podem ferir-se susceptibilidades. Pode ser-se inconscientemente indelicado. Pode ser-se mal-entendido, mal interpretado. Um pode expor-se demasiado. Tudo isto tive que ponderar. Uma pessoa trouxe alguma inspiração. António Rebordão. A ele um bem-haja.
Decidi que iria blogar. Pesquisei possibilidades. E apesar de haverem vários serviços gratuitos que permitem qualquer um criar o seu blog a minha opção foi outra. Comprei o meu próprio domínio. E nele criei o subdomínio onde escrevo este jornal/blog. Se bem que já lá vai algum tempo desde que tal aconteceu somente hoje me senti inspirado a começar… e tudo por causa da marmelada. No caminho do trabalho para casa deparei-me há umas semanas com um marmeleiro! Um marmeleiro em plena Melbourne suburbana! Divinal. Na Caxaria há poucos marmeleiros tão bonitos como este. E os dias foram passando. Sempre que passava por lá os marmelos estavam na mesma. Mas sendo um jardim privado… pensei que os donos lhe dariam uso. E os dias a passar. Finalmente ganhei coragem, bati à porta e perguntei se poderia levar alguns marmelos. Resposta: Claro, leva um par deles. Estava escuro… e eu optei por trazer 5 em vez do tal par! É que com um par não se faz muita marmelada;)
Hoje. Marmelos, açúcar, baunilha, pau de canela e água. Fez-se: marmelada e geleia. A minha adaptação daquilo que várias vezes vi a minha querida Mãe fazer e, claro, umas consultas na net. A saudade apertou. E decidi escrever. Bendita marmelada.