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28 de October de 2007

Democracia do Abstracto.

20 de May de 2007

No outro dia falando ao telefone com o António, dizia-me ele sobre esta coisa de bloggar. Que é preciso estar algo motivado e claro, com inspiração. E eu naturalmente concordo. A vantagem de um escritor não é tanto a capacidade de conceber intrigas e enredos na sua mente. Isso todos, ou quase todos conseguimos fazer. Tal profissional dá pelo já referido nome de escritor por fazer uso do verbo com a mesma raiz etimológica que a do substantivo que denomina a sua ocupação. Por outras palavras: o gajo escreve. Pensamentos leva-os o vento, ficamos com eles ou então estendem-se aos que os ouvem da nossa boca… agora escritos, isso já é outra coisa. Desde Gutenberg que o seu alcance se exponenciou. E, com o milagre da Internet… qual o limite dos escritos? Então, hoje veio-me a inspiração para a escrita de uma indignação que brotou de forma pacífica.

Sigo.

Tendo o dia livre e prévios planos sabotados ocorreu-me explorar a NGV International. Esta é a porção, digamos, da Galeria Nacional de Victoria que se dedica a arte de origem não Australiana, e que se encontra num edifício distinto. Aí deambulei entre trabalhos de variados autores, épocas e movimentos artísticos. Naturalmente dei de caras com variadas obras abstractas. Desde há muito que tenho uma dual reacção perante peças desta vertente artística. Porém hoje foi de mais… junto à seguinte obra havia a típica anotação dos curadores do museu que incluía uma observação do autor, Mark Rothko (há muito falecido).

Mark Rothko n.o 37 (Red)

E diz o autor:

…only in expressing basic human emotions — tragedy, ecstasy, doom, and so on. And the fact that a lot of people break down and cry when confronted with my pictures shows that I can communicate those basic human emotions . . . The people who weep before my pictures are having the same religious experience I had when I painted them. And if you, as you say, are moved only by their color relationship, then you miss the point.”

Mais uma vez assumo a compreensão por parte de todos… mas acaso alguém não goste de Inglês a coisa vai mais ou menos assim:

somente exprimindo emoções humanas básicas – tragédia, extasia, destino, e outras mais. E o facto de que muitas pessoas choram quando confrontadas com as minhas pinturas, mostra que eu consigo comunicar essas emoções humanas básicas… As pessoas que choram perante as minhas obras têm o mesmo tipo de experiência religiosa que eu tive quando as pintei. E se vossa mercê, como diz, é movida somente pela sua relação cromática, então não entende a ideia.”

Deixem que vos diga: eu quase que chorei… de RAIVA! Talvez seja por não ser muito religioso! Mas passo a explicar a minha indignação, deveras simples. Sem entrar em detalhes técnicos a maior parte de nós entende o Abstracto como isso mesmo! Mas este autor dá-se ao luxo de nos dizer o que devemos sentir/entender aquando da visualização da sua obra… a tal que é suposto ser abstracta! Todavia ele recusava o rótulo de abstraccionista! Talvez seja por isso…

Bom mas os blogs não são para isto.

E agora que já desabafei aconselho-vos a ir mais, ou ainda mais, a museus. Pois só com a crítica do leigo poderá a arte tornar-se mais democrática.