Lembro-me de uma fase da minha vida em que me deu para escrever poemas. Isto tudo devido à sugestão que encontrei num dos manuais de Português do meu décimo ano na secundária. Sugestão essa na direcção de escrever um soneto. Era o professor da dita disciplina o Mohâmede Cabra (acho que é assim que se escreve) e, era a fase a plena adolescência. Tudo o que era experimentar ou possibilidade de exprimir o que ia por dentro, que viesse!
Soneto é algo deveras difícil de escrever. Não só é poesia, é poesia com regras. O sabor do conteúdo espelha-se numa estrutura pré-definida e largamente testada. Naturalmente não posso deixar de admirar Camões, Florbela Espanca, Pessoa… há que adequar a mensagem a uma composição algo restritiva. Aqui surge o mestre. Naturalmente creio que a minha tentativa foi algo infrutífera e, o amor próprio de um adolescente levou a que não partilhasse tal escrito com mais do que um par de pessoas…
Comecei com o soneto tentado e segui com outras estrofes e rimas. Os versos que fui escrevendo nessa fase muito atentavam na qualidade. Todavia creio que auxiliaram a cimentar ideias. Uma dessas ideias era a de que a Amizade é um dos sentimentos mais fortes e duradouros que existem. Uma ideia que me acompanha desde então e que se foi fortificando com o tempo e com a experiência.
Amigos. Pessoas com quem se partilha algo, com quem há sincronia. Seja uma história, sejam ideologias, formas de estar e outras coisas mais. Pessoas juntos das quais… vá lá saber-se porquê, sabe bem estar. Como se fossem a família com quem somente não se partilha o sangue.
E, os meus amigos, compreender-me-ão quando digo que é agora, distante, estando no caminho que creio ser o meu, que lhes sinto mais a falta.
Para os meus amigos… porque há flores que não perdem o viço.