Sentado no varandim!

Porque é isso mesmo que estou a fazer…

Tenho dispensado demasiado tempo a pensar escrever “algo decente”. Tendo em conta que tal opção não está a funcionar… vou limitar-me a expor as “maravilhas” de viver num outro país. Bom, tal sob a forma de uma breve discrição do que se passa neste preciso momento, em que escrevo, claro.

Sentado num pequeno caixote do lixo metálico, com uma almofada a acrescentar conforto, portátil numa cadeira em frente. Tudo isto num varandim que dá para o jardim da casa, nas traseiras. Ouço uma mistura do primeiro álbum dos Madredeus (Os dias da Madredeus) e Wikked Lil’ Grrrls de Esthero… não perguntem porquê. No telhado temos aquilo a que eu chamaria uma fábrica, ou pelo menos o ruído faz juízo à sugerida designação. Na realidade é o ar condicionado… central. Como isto é um país “rico” aqui na barraca o pessoal tem ar condicionado e aquecimento, ambos centrais. Dá jeito… mas tende a ser um verdadeiro DESPERDÍCIO DE ENERGIA. Mas durante o dia esteve um calor dos diabos. Neste momento (meia-noite) diz o BOM que estão uns 25 º C. Lá dentro estão bem mais…

E aqui estou eu a olhar uma árvore que creio ser nativa desta ilha e que pela manhã, pelo menos agora que está em flor, é o poleiro e provedor de pequeno-almoço para muitos papagaios. É uma visão que ainda não consegui tornar rotineira. Sempre que os observo delicio-me como um miúdo no zoológico. Encantadores e livres estes coloridos papagaios. Pela noite vagueio até aos eucaliptos e o pessegueiro que temos aqui no “quintal”. E lá estão eles, os Possums. Mais uma vez é algo que não vejo forma de assimilar como rotina… sai-me outra vez a expressão de catraio no zoo. Estes animais estavam aqui antes de todas estas casas do dito “sonho Australiano” estarem… e seguirão. Nocturnos e marsupiais, adaptam-se. Há que sobreviver. E, a esse propósito, os pêssegos nunca amadurecem. Os Possums devoram-nos antes que tal aconteça!

E amanhã trabalha-se. E é para trabalhar que estou neste país, ou pelo menos assim o diz o visto do departamento de imigração. Termino então o chá Japonês que me foi oferecido por Hiro Ikeda em Nara, e penso nas cigarras barulhentas que por Melbourne começam a veranear, já que o calor convida. Recordam-me os pinhais e o Verão na minha terra, e também Tóquio.

Que contraste… Tóquio e a Caxaria.

5 Resposta a “Sentado no varandim!”

  1. Antonio Rebordão diz:

    Olá amigo,

    Eu estou aqui em casa a trabalhar envolto num cobertor. Os vídeos que me ofereceste confirmam a beleza natural de que falas. Mas espero que um dia possa ver esse quintal de que falas.

    Por aqui a vida segue na crista e os dias sucedem-se em grande velocidade.

    Abraços,

  2. Diogo diz:

    Quem faz os locais somos nós… acredito que apesar dos contrastes até haja muitas semelhanças…

    Abraço e desfruta bem desse jardim com papagaios e possums. Já agora, vê lá se consegues pôr os primeiros a falar qualquer coisita de português… Nem que seja aquelas primeiras palavras que se aprendem… como…

    Bom dia!

    Abraço

  3. José Fernandes diz:

    Amigo,
    Que inveja desse quintal, dessa beleza natural e “desse” sol !!!
    Estou aqui a trabalhar (mais uma noite!) a tentar imaginar toda essa beleza que descreves… quase que sinto o calor do sol na face e o cheiro da árvore que se entranha na roupa…
    Aqui o meu “quintal” são prédios, carros, ruas sujas, pessoas tristes neste cantinho da europa em que cada vez mais vamos ficando num canto…

    Continuação de um bom descanso nesse teu quintal.

    Um grande abraço

  4. carla diz:

    maninho que engraçado, Caxaria e Tóquio, contraste ao seu alto nível eheh

    bem por aqui não estão 25º… nem perto:( mas pronto…aguenta-se…
    beijinho grande com muita saudade*****

  5. Joice Worm diz:

    Cheguei aqui quase 1 ano atrasada. Será que ainda estás no varandim em Austrália? Ainda quer notícias de Portugal? Bom… Enquanto não responde. Vou cuscuvilhar seu Blog. Gostei da maneira como escreve… E quem escreve assim, merece também uma rede para deitar e relaxar. Bravo!!
    Um forte abraço de Joice Worm

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