O que se é….

23 de March de 2008

Faço.
Penso.
E, fazendo aquilo que penso
ser de minha vontade fazer,
faço a vontade dos outros por extenso
pensando que faço o querer do meu ser.
E os outros, julgando-me de um querer pretenso,
e aquilo que querem querer contradizer,
estupidamente julgam que meu ser imenso
original se faz na vontade e no querer.
Não vêem pois (o nevoeiro é denso)
que aquilo que faço é o que me dizem para fazer.

Como muitos outros atravessei uma fase da poesia… tinha 16 anitos. Dos muitos maus escritos apenas um mantive comigo. Para bom entendedor meia palavra basta. A par desta modesta estrofe recomendo a leitura do seguinte:

Cogitações: Quebrar as correntes/algemas da ilusão I

Cogitações: Quebrar as correntes/algemas da ilusão II

Melbourne em fotografias!

18 de March de 2008

Melbourne é uma metrópole que para Europeus sempre parece algo estranha. É composta por um centro teoricamente muito organizado, pois compõem-se de ruas paralelas e perpendiculares a que carinhosamente chamam “a grelha”. Isto condensado dentro de um rectângulo de 3×2 km! Porém, neste (des)organizado rectângulo encontra-se muito e muito interessante! O resto desta cidade são subúrbios à moda Australiana… terrível coisa… é preciso nascer aqui para gostar de tal fenómeno!

Ficam então umas fotos daquilo que está dentro “da grelha” e nas cercanias!

Melbourne Museum & Royal Exibition Building

O Melbourne Museum à esquerda (Vossa!) e o Royal Exibition Building à direita. Moderno versus histórico. A 3 minutos da minha porta!

REB fountain versus skyscraper

Fonte que adorna a fachada do Royal Exibition Building nos Carlton Gardens (decorada com ornitorrincos e tudo!) versus um arranha-céus. Eles que dominam o centro de Melbourne.

Victoria Parliament and Tram

O Parlamento do Estado de Victoria versus um dos eléctricos cá da terra! Esta foto poderá parecer estranha na luminosidade. Passo a explicar. O sol nasce por detrás do parlamento, reflecte nos arranha-céus e ilumina este antigo edifício de uma forma algo surreal… só visto. Mas tem que ser às 7 da matina!

3 homens em Swanston Street

Estes são três bem conhecidos homens que eternamente esperam para atravessar a rua na esquina das famosas Swanston Sreet e Bourke Street. Melbourne está repleta de arte pelas suas ruas… mas estes três de fato, à espera junto ao semáforo… são especiais!

Cúpula de Flinders Street Station versus Eureka Tower

Mais uma vez o histórico em oposição ao recente. Cúpula da estação de comboios de Flinders Street com a Eureka Tower em segundo plano. A Eureka Tower é o edifício residencial mais elevado do Hemisfério Sul e também o mais elevado de Melbourne.

Centre Place, Melbourne.

E mais uma vez… Centre Place, um dos meus locais favoritos nesta bela cidade que é Melbourne.

Ténis!

5 de February de 2008

Janeiro já lá vai… mas não foi nem ainda há duas semanas que decorreu o Open da Austrália. O grande vencedor foi Novak Đoković que arrebatou o título de singulares masculinos enquanto que o de singulares femininos mereceu-o a visualmente agradável Maria Sharápova!

Ser um espectador no Open da Austrália não implica muitos custos caso se resida em Melbourne. O bilhete mais básico pode ser adquirido por uns meros 29 dólares. Os nativos fluem em massa para este evento… adoram-no. Como estas duas jovens a presenciar o serviço da Francesa Amelie Mauresmo.

Gémeas do Ténis

Ser um dos jogadores é uma realidade diferente. Nos torneios mais prestigiados há muito dinheiro em jogo. No Open da Austrália são 20 milhões de dólares, 1 milhão para o vencedor da final. Mas não se chega a um Slam somente com 29 dólares. Não existe tal coisa como um tenista auto-didacta. O ténis não é um desporto democrático, implica custos elevados e também progenitores algo visionários. Daí que haja o desporto rei… nem é preciso ter uma bola, basta ter algo parecido!

Todavia não nego que seja agradável de presenciar. E, caso não saibam, em Abril Federer estará em Portugal, no Estoril Open.

Quase que me esquecia!

25 de January de 2008

Para o olho pouco experienciado poder-se-ia dizer que me havia esquecido desta “preciosidade” que é o meu blog!! Porém não é problema de memória! Criei este jornal para que me sirva e não o contrário… e assim sendo tenho dirigido a minha atenção para outras direcções. Estar a menos de 2km do centro de Melbourne trouxe novas possibilidades… imensas de facto!!

Assim, o meu tempo tem sido dividido entre o trabalho a 20 km de casa e a diversão, amigos e actividades a 2km!

O Verão está no seu pico como o Inverno está no seu pela Europa! O Open da Austrália ao rubro… as actividades ao ar livre a multiplicarem-se… as longas noites a fazerem convites descarados… enfim! Uma espécie de intoxicação de entretenimento.

Entretanto este Sábado é o Dia da Austrália! Veremos se consigo vislumbrar as comemorações apesar de estar a trabalhar nas próximas noites!

Feliz Natal!

20 de December de 2007

A mando do Ricardo (viva o Belenenses) com quem partilho casa em Melbourne aqui deixo o primeiro, e bem sucedido vídeo clip da artista Brasileira (virtual) Marli - Bertulina!
Por mim eu não fazia nada disto mas o Ricardo nasceu um ano antes de mim… há que respeitar.

FELIZ NATAL!!!!! Mais vídeo clips da Marli AQUI.

Chai, uma experiência!

13 de December de 2007

Chai é Hindi para chá. E, sem mais demoras, em honra dos meus amigos Sachin e Sema, casal de Indianos com quem tive a honra de partilhar casa durante 6 meses (uma amizade para a vida), aqui deixo uma das possíveis receitas de Chai. Esta a que sempre faço e que adoro:

Ferver os seguintes ingredientes durante 5 minutos. De seguida deixar repousar outros 10:

2/3 canecas de água.
1 colher de sopa rasa de sementes de funcho.
6 sementes de cardamomo verde.
12 cravos-da-índia.
1 pau de canela.
2 cm de gengibre picado fininho.
8 sementes de pimenta preta.
2 folhas de louro.
Uma pitada de açafrão (do genuíno, em fiozinhos, caro mas compensa).

Depois dos 10 minutos de repouso adicionar 2 colheres de chá Darjeeling (caso não tenha disponível esta variedade qualquer outra a gosto servirá. Chá preto de preferência ou então verde. Nota: chá em folhas, evitar saquetas). Naturalmente, chá de melhor qualidade dá Chai de melhor qualidade ;)
Deixar ferver e mexer durante 5 minutos (não mais, de outra forma poderá tornar-se bastante azedo).

De seguida adicionar:

2 canecas de leite a ferver, ou pelo menos bastante quente (gordo de preferência)
4 colheres de sopa de açúcar moscavado ou amarelo ou então, em último recurso, branco. O açúcar é fundamental e não existe tal coisa como Chai sem açúcar já que este realça de forma fundamental o sabor das especiarias.

Chai, uma experiência!

Isto cá no planeta terra gostos não se discute, e opiniões… olha, têm-se! Mas verdade seja dita que bebo um litro de Chai sem problemas!

Um ano depois… Uma semana em Portugal, duas costelas partidas, e casa nova!

11 de December de 2007

Após um ano (menos 2 dias) neste país que é a Austrália lá rumei a Portugal para matar essa coisa tão Portuguesa a que chamamos Saudade. Fui de surpresa por que é melhor e dá mais pica! Não houve ataques cardíacos nem desmaios… mas quase… é que eu já não fazia a barba havia dois dias e, entre voos, comboios e autocarros, estava em viagem quase há 50 horas! Mas não há nada como a nossa casa. O problema é quando se tem duas… como eu com a Caxaria e o Planeta Terra ;) Em resumo foram 6 dias cheios de coisas boas.

De regresso a Melbourne trabalhei dois dias, em preparação para 5 dias de folga em que trataria pacificamente da transição entre a presente e a futura casa/morada. Contudo e porque há que dificultar as coisas, neste Sábado lá decidi voar por umas escadas abaixo… e fica a fotografia:

Raios X

Veremos então em quanto me vai ficar o voo pois aqui tenho seguro que me dá cobertura em caso de…. não sei bem o quê… Desta forma os 5 dias de folga passaram a ser 10 dias de baixa e naturalmente menos dinheiro na conta… Mais uma experiência “enriquecedora”.

Mas a emoção da mudança para uma área mais central (na cidade de Melbourne) não esmoreceu! Como vou dizendo por aqui: “Prefiro estar a 20km do trabalho do que a 20km do centro.” E então a futura morada é em Chummie Place, mesmo por detrás da Lygon Street! Perdão, da afamada Lygon Street, o suposto Bairro Italiano! Hummm… ou será afamadíssima??

O Natal chegou mais cedo!

29 de November de 2007

Facto é que na Caxaria estará até ao dia 1 de Dezembro uma prendinha com dois braços e duas pernas (Viva a falta de modéstia!)! Essa prendinha responde a vários nomes dependendo do local onde se encontre e com quem se encontra! João para uns, Toni para outros. Há quem lhe chame Grilo, uns mais diriam Jo, Joe, Joa… enfim… Em termos legais a coisa vai assim: João António Dias Grilo.

O catraio quis fazer uma surpresa e a coisa correu bem. Tendo um bilhete de ida e volta para a terra dos cangurus cuja validade eram 12 meses, surgiu a necessidade, ou de deixar ir e perder esse mesmo bilhete, ou de o utilizar à custa de um outro adquirir (para poder regressar, claro). Esse outro custaria (e custou) uns bons dólares e o tempo para permanência seria reduzido. Mas família só há uma, a minha e mais nenhuma. Por isso perdoem-me os meus amigos, sobretudo os que vivem mais distantes, porque a muitos não verei. Esta curta estadia será dedicada a esses que já referi: a minha família.
Aqueles que puderem e quiserem encontra-me-ão na Caxaria, essa bela e desconhecida terriola!

Ah! Home sweet home!

Sentado no varandim!

19 de November de 2007

Porque é isso mesmo que estou a fazer…

Tenho dispensado demasiado tempo a pensar escrever “algo decente”. Tendo em conta que tal opção não está a funcionar… vou limitar-me a expor as “maravilhas” de viver num outro país. Bom, tal sob a forma de uma breve discrição do que se passa neste preciso momento, em que escrevo, claro.

Sentado num pequeno caixote do lixo metálico, com uma almofada a acrescentar conforto, portátil numa cadeira em frente. Tudo isto num varandim que dá para o jardim da casa, nas traseiras. Ouço uma mistura do primeiro álbum dos Madredeus (Os dias da Madredeus) e Wikked Lil’ Grrrls de Esthero… não perguntem porquê. No telhado temos aquilo a que eu chamaria uma fábrica, ou pelo menos o ruído faz juízo à sugerida designação. Na realidade é o ar condicionado… central. Como isto é um país “rico” aqui na barraca o pessoal tem ar condicionado e aquecimento, ambos centrais. Dá jeito… mas tende a ser um verdadeiro DESPERDÍCIO DE ENERGIA. Mas durante o dia esteve um calor dos diabos. Neste momento (meia-noite) diz o BOM que estão uns 25 º C. Lá dentro estão bem mais…

E aqui estou eu a olhar uma árvore que creio ser nativa desta ilha e que pela manhã, pelo menos agora que está em flor, é o poleiro e provedor de pequeno-almoço para muitos papagaios. É uma visão que ainda não consegui tornar rotineira. Sempre que os observo delicio-me como um miúdo no zoológico. Encantadores e livres estes coloridos papagaios. Pela noite vagueio até aos eucaliptos e o pessegueiro que temos aqui no “quintal”. E lá estão eles, os Possums. Mais uma vez é algo que não vejo forma de assimilar como rotina… sai-me outra vez a expressão de catraio no zoo. Estes animais estavam aqui antes de todas estas casas do dito “sonho Australiano” estarem… e seguirão. Nocturnos e marsupiais, adaptam-se. Há que sobreviver. E, a esse propósito, os pêssegos nunca amadurecem. Os Possums devoram-nos antes que tal aconteça!

E amanhã trabalha-se. E é para trabalhar que estou neste país, ou pelo menos assim o diz o visto do departamento de imigração. Termino então o chá Japonês que me foi oferecido por Hiro Ikeda em Nara, e penso nas cigarras barulhentas que por Melbourne começam a veranear, já que o calor convida. Recordam-me os pinhais e o Verão na minha terra, e também Tóquio.

Que contraste… Tóquio e a Caxaria.

??

28 de October de 2007