Faço.
Penso.
E, fazendo aquilo que penso
ser de minha vontade fazer,
faço a vontade dos outros por extenso
pensando que faço o querer do meu ser.
E os outros, julgando-me de um querer pretenso,
e aquilo que querem querer contradizer,
estupidamente julgam que meu ser imenso
original se faz na vontade e no querer.
Não vêem pois (o nevoeiro é denso)
que aquilo que faço é o que me dizem para fazer.
Como muitos outros atravessei uma fase da poesia… tinha 16 anitos. Dos muitos maus escritos apenas um mantive comigo. Para bom entendedor meia palavra basta. A par desta modesta estrofe recomendo a leitura do seguinte:
Melbourne é uma metrópole que para Europeus sempre parece algo estranha. É composta por um centro teoricamente muito organizado, pois compõem-se de ruas paralelas e perpendiculares a que carinhosamente chamam “a grelha”. Isto condensado dentro de um rectângulo de 3×2 km! Porém, neste (des)organizado rectângulo encontra-se muito e muito interessante! O resto desta cidade são subúrbios à moda Australiana… terrível coisa… é preciso nascer aqui para gostar de tal fenómeno!
Ficam então umas fotos daquilo que está dentro “da grelha” e nas cercanias!
Fonte que adorna a fachada do Royal Exibition Building nos Carlton Gardens (decorada com ornitorrincos e tudo!) versus um arranha-céus. Eles que dominam o centro de Melbourne.
O Parlamento do Estado de Victoria versus um dos eléctricos cá da terra! Esta foto poderá parecer estranha na luminosidade. Passo a explicar. O sol nasce por detrás do parlamento, reflecte nos arranha-céus e ilumina este antigo edifício de uma forma algo surreal… só visto. Mas tem que ser às 7 da matina!
Estes são três bem conhecidos homens que eternamente esperam para atravessar a rua na esquina das famosas Swanston Sreet e Bourke Street. Melbourne está repleta de arte pelas suas ruas… mas estes três de fato, à espera junto ao semáforo… são especiais!
Mais uma vez o histórico em oposição ao recente. Cúpula da estação de comboios de Flinders Street com a Eureka Tower em segundo plano. A Eureka Tower é o edifício residencial mais elevado do Hemisfério Sul e também o mais elevado de Melbourne.
E mais uma vez… Centre Place, um dos meus locais favoritos nesta bela cidade que é Melbourne.
Janeiro já lá vai… mas não foi nem ainda há duas semanas que decorreu o Open da Austrália. O grande vencedor foi Novak Đoković que arrebatou o título de singulares masculinos enquanto que o de singulares femininos mereceu-o a visualmente agradável Maria Sharápova!
Ser um espectador no Open da Austrália não implica muitos custos caso se resida em Melbourne. O bilhete mais básico pode ser adquirido por uns meros 29 dólares. Os nativos fluem em massa para este evento… adoram-no. Como estas duas jovens a presenciar o serviço da Francesa Amelie Mauresmo.
Ser um dos jogadores é uma realidade diferente. Nos torneios mais prestigiados há muito dinheiro em jogo. No Open da Austrália são 20 milhões de dólares, 1 milhão para o vencedor da final. Mas não se chega a um Slam somente com 29 dólares. Não existe tal coisa como um tenista auto-didacta. O ténis não é um desporto democrático, implica custos elevados e também progenitores algo visionários. Daí que haja o desporto rei… nem é preciso ter uma bola, basta ter algo parecido!
Todavia não nego que seja agradável de presenciar. E, caso não saibam, em Abril Federer estará em Portugal, no Estoril Open.
Para o olho pouco experienciado poder-se-ia dizer que me havia esquecido desta “preciosidade” que é o meu blog!! Porém não é problema de memória! Criei este jornal para que me sirva e não o contrário… e assim sendo tenho dirigido a minha atenção para outras direcções. Estar a menos de 2km do centro de Melbourne trouxe novas possibilidades… imensas de facto!!
Assim, o meu tempo tem sido dividido entre o trabalho a 20 km de casa e a diversão, amigos e actividades a 2km!
O Verão está no seu pico como o Inverno está no seu pela Europa! O Open da Austrália ao rubro… as actividades ao ar livre a multiplicarem-se… as longas noites a fazerem convites descarados… enfim! Uma espécie de intoxicação de entretenimento.
Entretanto este Sábado é o Dia da Austrália! Veremos se consigo vislumbrar as comemorações apesar de estar a trabalhar nas próximas noites!
A mando do Ricardo (viva o Belenenses) com quem partilho casa em Melbourne aqui deixo o primeiro, e bem sucedido vídeo clip da artista Brasileira (virtual) Marli - Bertulina!
Por mim eu não fazia nada disto mas o Ricardo nasceu um ano antes de mim… há que respeitar.
Chai é Hindi para chá. E, sem mais demoras, em honra dos meus amigos Sachin e Sema, casal de Indianos com quem tive a honra de partilhar casa durante 6 meses (uma amizade para a vida), aqui deixo uma das possíveis receitas de Chai. Esta a que sempre faço e que adoro:
Ferver os seguintes ingredientes durante 5 minutos. De seguida deixar repousar outros 10:
2/3 canecas de água.
1 colher de sopa rasa de sementes de funcho.
6 sementes de cardamomo verde.
12 cravos-da-índia.
1 pau de canela.
2 cm de gengibre picado fininho.
8 sementes de pimenta preta.
2 folhas de louro.
Uma pitada de açafrão (do genuíno, em fiozinhos, caro mas compensa).
Depois dos 10 minutos de repouso adicionar 2 colheres de chá Darjeeling (caso não tenha disponível esta variedade qualquer outra a gosto servirá. Chá preto de preferência ou então verde. Nota: chá em folhas, evitar saquetas). Naturalmente, chá de melhor qualidade dá Chai de melhor qualidade
Deixar ferver e mexer durante 5 minutos (não mais, de outra forma poderá tornar-se bastante azedo).
De seguida adicionar:
2 canecas de leite a ferver, ou pelo menos bastante quente (gordo de preferência)
4 colheres de sopa de açúcar moscavado ou amarelo ou então, em último recurso, branco. O açúcar é fundamental e não existe tal coisa como Chai sem açúcar já que este realça de forma fundamental o sabor das especiarias.
Isto cá no planeta terra gostos não se discute, e opiniões… olha, têm-se! Mas verdade seja dita que bebo um litro de Chai sem problemas!
Após um ano (menos 2 dias) neste país que é a Austrália lá rumei a Portugal para matar essa coisa tão Portuguesa a que chamamos Saudade. Fui de surpresa por que é melhor e dá mais pica! Não houve ataques cardíacos nem desmaios… mas quase… é que eu já não fazia a barba havia dois dias e, entre voos, comboios e autocarros, estava em viagem quase há 50 horas! Mas não há nada como a nossa casa. O problema é quando se tem duas… como eu com a Caxaria e o Planeta Terra Em resumo foram 6 dias cheios de coisas boas.
De regresso a Melbourne trabalhei dois dias, em preparação para 5 dias de folga em que trataria pacificamente da transição entre a presente e a futura casa/morada. Contudo e porque há que dificultar as coisas, neste Sábado lá decidi voar por umas escadas abaixo… e fica a fotografia:
Veremos então em quanto me vai ficar o voo pois aqui tenho seguro que me dá cobertura em caso de…. não sei bem o quê… Desta forma os 5 dias de folga passaram a ser 10 dias de baixa e naturalmente menos dinheiro na conta… Mais uma experiência “enriquecedora”.
Mas a emoção da mudança para uma área mais central (na cidade de Melbourne) não esmoreceu! Como vou dizendo por aqui: “Prefiro estar a 20km do trabalho do que a 20km do centro.” E então a futura morada é em Chummie Place, mesmo por detrás da Lygon Street! Perdão, da afamada Lygon Street, o suposto Bairro Italiano! Hummm… ou será afamadíssima??
Facto é que na Caxaria estará até ao dia 1 de Dezembro uma prendinha com dois braços e duas pernas (Viva a falta de modéstia!)! Essa prendinha responde a vários nomes dependendo do local onde se encontre e com quem se encontra! João para uns, Toni para outros. Há quem lhe chame Grilo, uns mais diriam Jo, Joe, Joa… enfim… Em termos legais a coisa vai assim: João António Dias Grilo.
O catraio quis fazer uma surpresa e a coisa correu bem. Tendo um bilhete de ida e volta para a terra dos cangurus cuja validade eram 12 meses, surgiu a necessidade, ou de deixar ir e perder esse mesmo bilhete, ou de o utilizar à custa de um outro adquirir (para poder regressar, claro). Esse outro custaria (e custou) uns bons dólares e o tempo para permanência seria reduzido. Mas família só há uma, a minha e mais nenhuma. Por isso perdoem-me os meus amigos, sobretudo os que vivem mais distantes, porque a muitos não verei. Esta curta estadia será dedicada a esses que já referi: a minha família.
Aqueles que puderem e quiserem encontra-me-ão na Caxaria, essa bela e desconhecida terriola!
Tenho dispensado demasiado tempo a pensar escrever “algo decente”. Tendo em conta que tal opção não está a funcionar… vou limitar-me a expor as “maravilhas” de viver num outro país. Bom, tal sob a forma de uma breve discrição do que se passa neste preciso momento, em que escrevo, claro.
Sentado num pequeno caixote do lixo metálico, com uma almofada a acrescentar conforto, portátil numa cadeira em frente. Tudo isto num varandim que dá para o jardim da casa, nas traseiras. Ouço uma mistura do primeiro álbum dos Madredeus (Os dias da Madredeus) e Wikked Lil’ Grrrls de Esthero… não perguntem porquê. No telhado temos aquilo a que eu chamaria uma fábrica, ou pelo menos o ruído faz juízo à sugerida designação. Na realidade é o ar condicionado… central. Como isto é um país “rico” aqui na barraca o pessoal tem ar condicionado e aquecimento, ambos centrais. Dá jeito… mas tende a ser um verdadeiro DESPERDÍCIO DE ENERGIA. Mas durante o dia esteve um calor dos diabos. Neste momento (meia-noite) diz o BOM que estão uns 25 º C. Lá dentro estão bem mais…
E aqui estou eu a olhar uma árvore que creio ser nativa desta ilha e que pela manhã, pelo menos agora que está em flor, é o poleiro e provedor de pequeno-almoço para muitos papagaios. É uma visão que ainda não consegui tornar rotineira. Sempre que os observo delicio-me como um miúdo no zoológico. Encantadores e livres estes coloridos papagaios. Pela noite vagueio até aos eucaliptos e o pessegueiro que temos aqui no “quintal”. E lá estão eles, os Possums. Mais uma vez é algo que não vejo forma de assimilar como rotina… sai-me outra vez a expressão de catraio no zoo. Estes animais estavam aqui antes de todas estas casas do dito “sonho Australiano” estarem… e seguirão. Nocturnos e marsupiais, adaptam-se. Há que sobreviver. E, a esse propósito, os pêssegos nunca amadurecem. Os Possums devoram-nos antes que tal aconteça!
E amanhã trabalha-se. E é para trabalhar que estou neste país, ou pelo menos assim o diz o visto do departamento de imigração. Termino então o chá Japonês que me foi oferecido por Hiro Ikeda em Nara, e penso nas cigarras barulhentas que por Melbourne começam a veranear, já que o calor convida. Recordam-me os pinhais e o Verão na minha terra, e também Tóquio.